Adicional beleza

October 28th, 2011

A exposição pública requer apresentação condizente. Ainda mais quando esta é frente a alunos. A análise é mais do que uma revista de cima a baixo, é praticamente uma radiografia. O olhar crítico passa pela roupa, pelas unhas, pelos cabelos, pelos acessórios, pela maquiagem. Nem os materiais escapam. Por tudo isso considero importante o estilo, o cuidado. O estilo permite uma traçar as primeiras considerações sobre sobre a pessoa. Permite mensurar o brilho e a cor. Cores são muito importantes. As cores externas refletem a cor e o brilho espiritual. Pelo menos é assim que me construo todo o dia. Busco demonstrar e externar a cor e o brilho do meu. Uma preocupação diária que merecia um adicional. Adicional de beleza, por que não?? O perfume também deve ser inconfundível, ou melhor, reconhecível.

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Bem-me-quer!!

August 2nd, 2011

Bem-me-quer, quem me quer

Bem-me-quer, quem me quer?

Quem me quer, bem-me-quer.

Quer, meu bem querer,

Quem me quer, bem me quer.

Neta Giovana (24.07.11)

Amada da vovó

August 2nd, 2011

Amada da vovó

Filhos são maravilhosos e indescritíveis

Netos são indescritíveis

Neta, então …

E, a Giovana … maravilhosa, indescritível e amada da vovó.

Discurso de Paraninfa

August 2nd, 2011

A Universidade de Santa Maria, a partir de hoje, entrega à sociedade novos profissionais de química que buscam seu espaço em diversos segmentos do mercado: ensino, pesquisa científica, tecnológica e indústrias de vários setores. Como professores, temos a certeza de que a formação recebida permitirá o crescimento de cada um na área escolhida, apesar dos tempos serem outros. Eles são muito mais exigentes do que foram com os profissionais da minha geração.

Por outro lado, os profissionais atuais são muito mais preparados para integrar um mercado que exige um conhecimento amplo, capaz de estabelecer correlações da química com outras áreas. Um profissional conectado com as inovações, novas tecnologias e as transformações que ocorrem a todo instante.

A Química muito tem contribuído para que todos estes avanços tenham se tornado realidade. Certamente todos os presentes já ouviram dizer que a química está em tudo. Esta observação não se trata de puxar a brasa para o nosso assado e muito menos, afirmar que a química é a mais importante das ciências.

Certamente que não, pois é impossível fazer algo isolado ou sem a participação de outros e de outras áreas. As ciências fazem parte de um universo coletivo, no qual o fundamento de uma serve, muitas vezes, para explicar o fenômeno observado em outra área.

As evoluções da química permitiram que novos processos e materiais que são sinônimos de conforto estejam ao alcance de todos nós, como os plásticos, as fibras sintéticas, os equipamentos eletroeletrônicos, os combustíveis, o papel, as tintas, alimentos melhor conservados, os medicamentos, os cosméticos, os polímeros e tantos outros.

Se por um lado estes avanços trazem facilidades, por outro trazem novas questões a serem resolvidas e muitas delas graves, como é questão dos resíduos. A problemática dos resíduos é uma das mais complexas questões, de difícil solução e que exige um enfrentamento contundente pelos profissionais de todas as áreas. O aumento populacional, o volume crescente de resíduos gerados e a complexidade de sua composição são fatores decisivos para este agravamento.

Por este motivo, é fundamental que os profissionais de química vejam a ciência como um processo holístico de tal forma que, os valores ensinados e aprendidos contribuam para uma sociedade mais justa e socialmente igualitária. Química é transformação. Química é reação. Esta transformação, esta reação pode ocorrer no interior de cada um, no sentido de transformar valores, atitudes, comportamentos e sentimentos.

No ano de 2011, está sendo comemorado o “Ano Internacional da Química”. Esta data marca os 100 anos do Prêmio Nobel recebido por Marie Curie. Seus trabalhos e pesquisas versaram sobre radioatividade. Esta data tem especial significação para os químicos. Primeiramente, por oportunizar a possibilidade de mostrarmos à sociedade em geral, a importância da química no dia-a-dia de cada um.

E também pelo fato da data ser marcada para comemorar as contribuições científicas de uma mulher.  Apesar de estarmos em pleno século 21 e as mulheres já terem conquistado diversos espaços, muitas ainda, vivem situações discriminatórias, inclusive em nível salarial que, na maioria das vezes, é inferior ao dos homens. Um desafio a mais a ser vencido por cada uma de voces.

A química está tão presente nas nossas vidas que quando duas pessoas se envolvem sentimentalmente, dizemos que houve uma “química” entre elas. Considerando que num fenômeno químico, a transformação altera a constituição da matéria. Podemos, então compreender e explicar porque ninguém sai igual de uma relação, feito o que ocorre em uma reação química. Somos transformados pelos sentimentos que nos envolvem. Tenho a certeza que cada um de vocês durante este tempo que conviveram com os colegas e com os professores se transformaram e, hoje são pessoas diferentes daquelas que chegaram aqui há alguns anos atrás.

Com muitas incertezas sobre a cidade, sobre o curso, sobre os professores, os novos colegas, enfim sobre tudo. Com o tempo, muitas delas se transformaram em certezas, especialmente em relação à escolha da profissão, seja dentro de um laboratório, seja em uma sala de aula, seja na linha de produção de uma indústria. E foi por causa do crescimento dessa certeza que hoje vocês estão aqui comemorando suas escolhas, tomados pela esperança no futuro, na realização profissional. Porém, com novas incertezas.

Só que hoje, frente aos desafios já enfrentados e vencidos com um medo menos adolescente, um medo, se assim podemos dizer, menos inseguro, com um menor nível de incerteza.

Sentimento normal quando temos que estabelecer novos rumos e assumir novas responsabilidades.

Meus alunos, quero agradecer a distinção que cada um de nós, professores, recebeu ao ser escolhido como homenageado da turma.

Há distinções que representam muito mais do que condecorações, pois estão relacionadas com sentimentos, afinidades, admirações, convivência, parcerias. A escolha dos homenageados, e da paraninfa que é meu caso, representa mais do que uma homenagem, é reconhecimento, é carinho. Com a certeza da importância e da representatividade é que agradeço a cada um com o coração transbordando a emoção mais sincera.

Aproveito para felicitar aos pais, aos avós, aos tios, aos namorados, aos amigos e a todos que neste dia se enchem de emoção por ter podido compartilhar cada momento, cada dificuldade, cada dúvida e cada certeza.

Química é realmente isso que todos estamos sentindo neste momento. É compartilhamento, transformação, energia, transbordamento de sentimentos, portanto vivam com toda a intensidade. Meus queridos afilhados, desejo que alcancem a felicidade sonhada e contem conosco para voltarem quando necessário e quando desejarem. Parabéns e boa sorte a todos!! Muito obrigada!!

Formatura dos Cursos de Química Industrial e Bacharelado UFSM

(2 formandos de Q Bacharelado e 3 de Q Industrial)

Dia 30.07.2011

Anf. Loi Berneira – Dep. Química

O CUSTO AMBIENTAL DAS SACOLAS PLÁSTICAS

May 24th, 2011

As sacolas plásticas que tantos males causam ao meio ambiente NUNCA foram distribuídas gratuitamente. O valor sempre esteve embutido nos preços dos produtos, apesar do consumidor desconhecer ou não querer reconhecer. A lei aprovada em Belo Horizonte e, brevemente, em São Paulo, na verdade não proíbe a sua distribuição, apenas explicita o preço a ser pago. Elas continuam à disposição. O principal argumento contrário à lei é que as sacolas “doadas” são usadas para o descarte do lixo, e a partir de então, o consumidor terá que comprar sacos plásticos. Nestes locais, elas estão sendo vendidas a R$ 0,19 (preço que sempre foi pago sem conhecimento do consumidor). Os sacos para lixo custam, em média, R$ 0,15, portanto sai elas por elas. O pensamento de que é uma “gentileza” do estabelecimento fornecer sacolas para as compras fez com que o consumidor levasse para casa uma quantidade maior do que a necessária para reutilização.  Este tipo de lei é uma forma de incentivar o consumo sustentável, pois no instante em que um serviço é pago refletimos o seu custo e, buscamos reduzi-lo. Isso acontece com a luz e a água, por exemplo, pois o pagamento é proporcional ao consumo. E por que esta lógica não pode valer para as sacolas plásticas e outros tipos de embalagens?  Além disso, as sacolas plásticas disponíveis, por força da lei, devem ser biodegradáveis, produzidas a partir de amido. Diferente das oxibiodegradáveis, que na verdade são apenas oxidegradáveis. De bio não tem nada, pois possuem na sua composição metais pesados que aceleram a reação de degradação, portanto a única contribuição é sumirem dos nossos olhos em 4 meses, em vez de em 400 anos. Além disso, estes metais são incorporados ao meio ambiente trazendo inúmeras consequências negativas, como, o provável aumento da incidência de câncer. O caminho do lixo não se encerra quando colocamos o saco na calçada para a coleta, ao contrário, em relação ao ambiente, ele recém está começando porque nas áreas de disposição iniciam-se inúmeras reações químicas que comprometem a qualidade do solo, da água e do ar e, podem levar centenas de anos para ser concluídas. Acima de pensar na reciclagem é preciso pensar na NÃO GERAÇÃO. O meio ambiente exige que nos despojemos do pensar individual e passemos ao pensar coletivo, pois a sobrevivência do Planeta depende das ações sustentáveis e responsáveis de cada um.

Não visto caqui, gosto de amarelo

October 26th, 2010

Opiniões são importantes. Elas podem influenciar, levar a repensar alguns posicionamentos e até reafirmar as certezas que temos. O programa Redação Aberta tem além do objetivo de informar, oportunizar estes momentos de reflexão a partir dos diferentes comentaristas que por aqui passam durante a semana. São profissionais de diferentes áreas que muitas vezes, como eu, aventuram-se a manifestar sua opinião sobre diversos assuntos.

Opinião é expressar o entendimento pessoal sobre algum assunto, sem a responsabilidade de representar necessariamente o veículo no qual é divulgada. É o que normalmente fazem os colunistas, comentaristas que são convidados a opinar sobre assuntos de sua livre escolha. Liberdade que quase sempre é respeitada e incentivada pela maioria dos órgãos de comunicação que valorizam este tipo de atividade.

Ao opinar sobre algum assunto ou fato, o comentarista tem a obrigação de fidelidade com suas convicções. Naturalmente, que nem sempre as opiniões pessoais representam as mesmas dos que ouvem ou lêem ou passam despercebido. Algumas vezes geram polêmica e até manifestações de rejeição que podem ser, dependendo do estilo de quem contradiz, agressivas e grosseiras. Mas, acredito que quem opina, não digo que esteja acostumado, mas entende que faz parte. Pois, quem está na chuva é pra se molhar.

Ser neutro ou ficar em cima do muro sempre é mais fácil, pois não instiga a discussão e evita a exposição. É um posicionamento confortável, porém há aqueles que mesmo sujeitos às críticas encaram o desafio de dar opinião. Assim, como nós os comentaristas do Programa Redação Aberta. Imaginem uma legião de pessoas vestindo cor caqui. Certamente nossos ouvintes iriam pensar que estariam diante de um batalhão, onde todos são iguais e devem ser os mais iguais possíveis. Ainda bem que na vida, as coisas não são assim. Há pessoas que gostam de cores berrantes, tipo laranja, verde limão, amarelo e, mais convivendo em harmonia com as que preferem o caqui, o cinza ou o branco. O respeito às diferenças é essencial para que a vida em comunidade ocorra de forma sociável.

A Universidade pela própria origem semântica representa um local onde há espaço para todos, no qual as diferenças contribuem para criar um ambiente único onde cabem os diversos, os diferentes, os alternativos, enfim todos. Diversos no conhecimento, diversos no estilo, diversos nas opiniões, diversos na visão. Enfim, há espaço e respeito a todos. E é a diferença que nos faz crescer, progredir, pois a diversidade não é vista como algo predatório, mas necessária para manutenção do equilíbrio, para manter o espírito universal da Instituição.

Foi desta forma que sempre avaliei minha participação como comentarista em 56 quartas-feiras. Opiniões as mais diversas, sobre coisas que entendo de fato, como meio ambiente, resíduos, gestão e outros assuntos relacionados. Opiniões sobre temas que minha visão de vida, minha história, minhas leituras e porque não, minha idade me habilitam para tal. Logicamente, que muitas vezes, elas não passaram de forma neutra, sem gerar controvérsias e até polêmicas. Acredito que não poderia ser diferente porque nunca fui e não sou uma pessoa neutra, convencional, que veste roupas caqui para não ser notada na multidão. Ao contrário, quem me conhece sabe que passar despercebido não é uma das minhas marcas pessoais.

Por outro lado, a despreocupação com a polêmica não me fez ser indiferente com o respeito que todos os ouvintes merecem, mesmos os poucos que talvez desliguem o rádio nas 4as feiras às 8:05, voltando a ligá-lo 10 minutos depois. A polêmica, a diferença, o distinto, o único é que impulsionam novas posições, o repensar, o exercício da tolerância, a aceitação do amarelo, pois já pensaram o que seria dele se todos gostassem do azul?

O comentário de hoje não tem tom de despedida, explicação ou justificativa trata-se de mais um comentário, nada mais do que isso, um comentário sobre minha forma de atuação nestes quase dois anos que participei do Redação Aberta. Na semana passada, solicitei à Direção do Programa meu afastamento, em virtude dos inúmeros compromissos que preciso concluir até o final do ano. E também considero importante que haja renovação das opiniões. Vejo que é importante que novas pessoas contribuam. Minha decisão também tem este objetivo – a renovação que é sempre é positiva e possibilita crescimento.

Despedidas para mim sempre são complicadas. Tenho certa dificuldade de me desligar de coisas que gosto, mas enfim, às vezes é necessário. Sendo assim, eu gostaria de agradecer ao Gilson Piber que me convidou a participar do Programa, ao Cândido e aos demais profissionais da Rádio Universidade que sempre foram extremamente gentis e atenciosos comigo. E também, logicamente, aos nossos ouvintes, especialmente, meus fãs número 1: a Leonir, Seu Plínio, meu sogro, e meus alunos que até deram um depoimento no YouTube que acordam às 8 h na 4ª feira para ouvir meu comentário. Não acreditei muito, mas enfim, o que vale é a intenção e só por isso, eles também merecem meu agradecimento. Muito obrigada pela oportunidade que para mim representou crescimento pessoal.

Uma boa semana a todos e que o restante do ano seja repleto de cores, luzes e amores a todos.

Aprender a ensinar

October 19th, 2010

“O silêncio é a plenitude da palavra” esta frase é de autoria de Alceu Amoroso Lima, o Tristão de Athayde. Um homem que na primeira fase de sua vida, lá pela década de 30, se caracterizou pelo conservadorismo e que a partir do regime militar, 1960 reviu suas posições e passou a ser um defensor da liberdade, do respeito às diferenças e às divergências, um progressista. Desempenhou diversas atividades, dentre as quais jornalista e professor. Foi como colunista de jornal que ficou conhecido pelo pseudônimo Tristão de Athayde.

A sua vida foi uma luta constante pela liberdade e contra a injustiça. A evolução de suas convicções devem ter custado noites de sono, pois era um defensor ferrenho de suas idéias, porém admitia que não somos donos da verdade, demonstrando desta forma que podemos readequar, reengenhar e remoldar nossos pensamentos sem perdermos a coerência. E foi por causa da capacidade de ouvir os jovens, de estar aberto ao diálogo que as mudanças de posições aconteceram.

Em função disso, como professor conquistou a admiração de seus alunos. Ele foi um grande professor. Seus alunos tinham verdadeira veneração pela forma que ministrava as aulas. Falando em professor, mesmo que o dia para homenageá-lo tenha passado nunca é demais falar sobre estes profissionais. Ser professor é um ofício, uns chegam a dizer um sacerdócio. E concordo, pois na acepção real é bem mais do que ministrar conteúdos, passar novas tecnologias ou conceitos de ponta.

Ser professor é também saber compreender, se preocupar com a formação integral dos alunos como pessoas, como cidadãos. Prepará-los para serem críticos sem serem intransigentes, para conviver com as diferenças sem acharem que são os donos da verdade, para serem abertos às mudanças, às novas idéias sem acharem que o conhecimento é estanque quando se atinge o máximo da qualificação profissional. É prepará-los para serem humildes, solidários e humanos apesar da ciência, em muitos casos, parecer ser fria e racional, distante do afetivo e do subjetivo. É prepará-los para serem justos e se sensibilizarem com a ausência de justiça.

Apesar de toda a responsabilidade do ofício, a valorização não se reflete nos níveis salariais comparado com outros profissionais com a mesma qualificação. Mas, há ganhos imensuráveis, como o reconhecimento pela atenção dispensada, pelas palavras ditas na hora certa, pelos conselhos nem sempre pedidos ou nem sempre aceitos, pelo ombro oferecido, enfim acredito que todos os colegas tem inúmeras situações para exemplificar este tipo de ganho e que inúmeras vezes devem ter levado alguns às lágrimas.

Esta sensibilidade é que nos distingue dos demais profissionais, pois trabalhamos com pessoas, com jovens cuja velocidade do pensar, do agir, do remoldar-se beira à efervescência e precisamos nos manter capazes de sofrer transformações apesar da passagem do tempo. Precisamos acompanhar não só a evolução tecnológica, mudando metodologias, inserindo novas ferramentas em nossas aulas, mas sermos sempre flexíveis às novas idéias, estar sempre dispostos a mudar, melhorando sempre.

Um dia eu entrei no meu departamento e havia três alunos conversando. De repente, se dispersaram e um lembrou de uma coisa e gritou:

_ Fulano, tu não vai lá falar com a véia e disse o nome de uma disciplina que nem lembro mais …

Imediatamente comecei a rir e entrei na coordenação do curso de Química questionando minhas colegas, se elas achavam que os meus alunos se referiam a mim dizendo: vamos lá falar com a véia de toxicologia ou a véia dos resíduos ou quem sabe, a véia lá na coordenação. Claro que elas disseram que não, porque são gentis, finas para ser mais fiel. Não que ser velha ou velho seja algo pejorativo, pois muitos jovens se referem a qualquer pessoa com mais de 30 anos como velho ou velha. Apesar disso tudo, acho que temos que ter preocupação com os conceitos e com as rotulagens. E é só se mostrando aberto às transformações e releituras de si próprios é que podemos postergar a referência desta qualificação a nós.

O professor, assim como os pais, é referência aos seus alunos. E por que não dar exemplos de flexibilidade, humildade, solidariedade, humanidade, juventude, abertura e plenitude, além de conhecimentos??

Resgate da vida

October 14th, 2010

Muitas atividades profissionais apresentam significativos graus de riscos. Os acidentes ocorrem muitas vezes por negligência tanto das empresas quanto dos próprios operários. Há algumas semanas atrás, dois trabalhadores que pintavam a fachada de um supermercado aqui em Santa Maria foram vítimas de um grave acidente. Um deles morreu devido a gravidade dos ferimentos, pois caíram de uma altura de 8 m.

As análises iniciais do acidente demonstram que os operários não usavam equipamentos de proteção individual. Esta é uma ocorrência relativamente comum. Ocorre porque as empresas ou não fornecem ou não fiscalizam e não informam o suficiente seus funcionários, demonstrando a importância de usá-los, pois não raramente custam a vida. Os operários por sua vez, também não raramente, alegam desconforto, redução de movimentos e tantas outras desculpas para justificar a ausência de uso.

Dias após esta tragédia, eu passei na esquina do Edifício Centenário, ali na esquina da Av. Presidente Vargas com a Acampamento e dois operários faziam um serviço na fachada do prédio. Quando eu passei eles estava baixando o andaime e de repente um dos lados trancou na fiação. O balancim ficou inclinado e o operário que estava daquele lado não teve dúvidas. Se segurou nos cabos de aço que suspendiam o andaime e colocou o pé nos fios para afastá-los. Eles não usavam equipamentos de segurança, com exceção de botinas. Embaixo outro operário orientava os que estavam suspensos, também sem capacete.

As pessoas que passavam naquela hora pararam, pois o risco de morrerem eletrocutados era imenso. Neste dia, os anjos estavam de plantão e nada aconteceu, o que certamente fará com que em outra situação semelhante tenham confiança que novamente vai dar certo e farão novamente a mesma coisa.

O uso de equipamentos e a observância das normas de segurança deveriam ser uma preocupação mais do que da empresa, mas do empregado, pois é a sua vida que está em jogo. Mas, por falta de informação entendem que esta é uma exigência desnecessária. Os custos com acidente de trabalho no Brasil é espantoso. Estes custos não são apenas financeiros, mas sociais, pois são filhos que perdem seus pais, mulheres que ficam viúvas, na maioria das vezes sem estrutura emocional para dar a volta por cima. Ficando na dependência de uma pensão miserável para a manutenção da sua família.

O mundo a partir de ontem está vivendo a emoção do regaste dos 33 mineiros no Chile. O acampamento que abriga os técnicos e as famílias é chamado de Esperança. Esperança de que estes homens que ficaram aproximadamente 70 dias confinados numa profundidade de 700 m, em buraco escuro, com condições mínimas de sobrevivência sejam salvos e possam aliviar suas famílias da angústia e da incerteza que viveram estes dias todos.

O acidente foi provocado porque ruiu o principal acesso ao túnel da Mina de San José. Os 33 mineiros estão soterrados desde o dia 5 de agosto e o acidente trouxe à tona as deficiências das condições de segurança em um dos mais importantes setores da economia chilena. Desde que ocorreu o acidente as autoridades chilenas monitoram por 24 horas os mineiros. Especialistas em saúde, mineração, telecomunicações e segurança dão orientações e acompanham os trabalhadores.

Uma gigantesca operação de resgate foi montada. Máquinas perfuradoras de alta precisão e tecnologias sofisticadas foram utilizadas. O custo da operação estima-se em U$ 10 milhões.  O custo dos traumas não apenas aos mineiros, mas às suas famílias e ao próprio governo chileno são incalculáveis.  Infelizmente, é preciso acontecer um acidente para que medidas preventivas sejam adotadas.

A lógica de adotar medidas corretivas em vez de preventivas ocorre em diversos setores. Prever consiste em adotar medidas que atuem sobre causas conhecidas, ou seja, medidas que reduzam os riscos da ocorrência de um acidente.  Infelizmente, esta lógica é quase sempre invertida. A colocação de um anteparo para evitar que um torcedor caia no fosso de um estádio, ocorre após a morte de um jovem. Um semáforo ou um redutor de velocidade é instalado após uma sucessão de atropelamentos. A fiscalização de veículos escolares é intensificada após um acidente que vitima crianças que tem a vida pela frente e por aí vai. A recuperação de um rio poluído é feita após a sua degradação.

Os custos para corrigir este tipo de erro poderiam ser usados para prevenir. Prevenir é melhor do que remediar, pois os custos financeiros são sempre menores e as medidas adotadas para corrigir o problema são na maioria das vezes menos complexas. É preciso que a sociedade como um todo tenha uma visão pró-ativa para evitar que vidas sejam ceifadas por negligência com a segurança.

Tiririca, além do meu exercício de aceitação

October 6th, 2010

Diversas entidades uniram-se em campanhas para o voto responsável. As campanhas publicitárias foram veiculadas em todas as mídias mostrando uma sociedade mais feliz por ter uma atuação responsável. Além de demonstrar a importância do exercício do voto, outras informações foram veiculadas como os candidatos barrados pela Lei da Ficha Limpa e os nomes dos 39 ex-parlamentares acusados de participação na máfia dos sanguessugas que eram candidatos nestas eleições. Porém, os resultados não demonstraram que o eleitor soube decodificar estas informações. A prova disso é a eleição de Tiririca para a câmara federal e de figuras como Jader Barbalho, Paulo Malluf, Renan Calheiros que consagraram-se nestas eleições.

O assunto eleições brasileiras toma conta dos noticiários mundiais, especialmente por causa destas figuras que despontam no atual cenário político. Além disso, observam-se muitos personagens populares que se destacam pelas mais diversificadas atuações eleitos para ocuparem, a partir de 2011, uma cadeira na câmara federal ou estadual, como Romário, Darlei, Bebeto, o BBB Jean Willys, Wagner Montes, Miriam Rios ex-Roberto Carlos e Stephan Nercesian. Outros famosos como as mulheres frutas, BBBs e Netinho não conseguiram seu objetivo para aumentar ainda mais a representatividade dos famosos na política nacional.

Fico pensando que condições tem um congresso ou câmara para estabelecer programas políticos que venham ao encontro da melhoria de pontos fundamentais como educação, saúde, segurança e meio ambiente? Poucas, pois até entenderem o papel de um deputado, o tempo vai passando. Neste tempo de espera, as necessidades do povo vão crescendo e as mudanças ficam emperradas ou simplesmente não ocorrem. E mais, muitas vezes ficam brincando de fazer projetos absurdos gastando tempo e dinheiro público.

Projetos que vão desde substituir as folhas de fumo do brasão nacional pelas de soja, a obrigatoriedade de todas as estradas federais possuírem banheiros públicos e até sobre a palmada. Será que temas como estes contribuem para nossa melhoria de vida?

Ouvi que o uso de figuras populares como candidatos é uma estratégia dos partidos para aumentarem a sua representatividade. Apesar de acreditar que isso tem lógica, pois o um milhão de votos do Tiririca assegurou mais 3 cadeiras para o seu partido, acho que isso é subestimar a capacidade crítica e avaliativa do eleitor. É apostar que nenhum julgamento será feito para a escolha. É qualificar o eleitor para exercer o voto responsável? Consciente? Onde fica a consciência e a responsabilidade? Se comprovada esta estratégia como uma manobra algo deveria ser feito em relação a estes partidos, considerando seus princípios e doutrinas políticas.

Um candidato que se elege fundamentado na desinformação como ele mesmo disse: Você sabe o que faz um deputado federal? Não, nem eu. Então me eleja que depois eu te conto. Ou pior que ta não fica. Vote no Tiririca. A eleição só pode ter ocorrido por identificação com o eleitor. Demonstrando desta forma que, apesar de São Paulo ser o estado mais rico do Brasil e com altos índices de desenvolvimento, paralelo a isso tem um número imenso de eleitores que desconhecem a sua responsabilidade e que eleger alguém significa ser representado por ele. A representatividade deve ser no mínimo qualificada para ter legitimidade na instância em que participa.

A última novidade com relação a eleição do Tiririca é que ele corre o risco de não assumir a cadeira no Congresso, pois houve uma denúncia que foi aceita que ele é analfabeto e que a declaração que comprova ser alfabetizado não foi escrita por ele. Mais esta ainda?

Também ouvi dizer que a sua eleição foi uma forma de protesto para ridicularizar o congresso devido aos sucessivos escândalos que tem levado ao descrédito da instituição. Mesmo que isso seja verdade, este tipo de protesto é irresponsável, pois mesmo que um deputado precise da maioria para aprovar um projeto, ele será um agente perturbador até se inteirar do funcionamento da instituição.

O editorial do Clic RBS de 02.10.10, antecendo as eleições dizia: As definições que sairão das urnas no âmbito do país e dos estados têm muito a ver com a continuidade da expansão econômica, com a perspectiva da melhoria de ganhos para um número crescente de brasileiros, acenando com a possibilidade de menor desigualdade e de maior poder aquisitivo, com o aumento do consumo, da produção, do nível de emprego, dos salários e de mais facilidade de acesso ao ensino de qualidade, por exemplo. Cidadãos mais qualificados, com um maior percentual de aspirações básicas atendidas, se transformam, normalmente, em eleitores mais exigentes. E esse é um dos fatores que ajudam a qualificar as eleições de 2010.

A eleição do Tiririca e outros tantos para mim não comprovou a qualificação do eleitor e foi além da minha capacidade de aceitação de que pessoas simples possam ter boas idéias e contribuir para redução das desigualdades e promover o crescimento do país, apesar de eu entender que este não seja um mérito exclusivo de doutores ou de engravatados que muitas vezes escondem suas fantasias de palhaços sob seus ternos alinhados.

BULLYING ESPORTIVO

September 28th, 2010

O Diário Catarinense do dia 28 de setembro, ontem, publicou uma notícia da qual reproduzo alguns trechos: Há seis semanas, uma professora foi surpreendida em Joinville pelo ataque de um aluno em sala de aula, minutos após começar a apresentar a matéria. Acostumada a acompanhar episódios de agressão envolvendo colegas em dez anos de profissão, ela tentou manter a calma e conversar com o estudante, que não havia compreendido um texto.

A intensidade das acusações, no entanto, assustou a educadora. Com o detalhe de que as histórias de professores destratados por alunos que ela conhecia haviam ocorrido em colégios. Ela dá aula numa faculdade.
Disse a professora para a reportagem:

— Ele [o aluno] interrompeu a aula e questionou a minha competência para ensinar. Listei meu currículo para ele, com calma, mas ele continuou com agressões verbais. Quando pedi silêncio, ele se levantou. Disse que pagava o curso e que, sem isso, eu não teria o que comer —, conta ela, que não quis se identificar.

Ela procurou a direção, mas sabia a resposta que receberia: nada a fazer a não ser chamar a atenção do aluno. Justifica a professora a atitude da faculdade:
— Eles compreendem a situação, mas não querem perder o aluno.
Na semana seguinte, ela estava de volta à sala, ensinando o autor dos insultos.
Comenta a jornalista responsável pela reportagem:

Episódios parecidos são rotina em escolas e faculdades, mas raramente discutidos. Uma exceção é nesta terça, quando o assunto fará parte dos temas do 1º Seminário de Bullying e Assédio Moral, na Mitra Diocesana de Joinville, que reunirá educadores, psicólogos, advogados e representantes de sindicatos.

Tenho certeza que a quase totalidade de nossos ouvintes condena a atitude do aluno e da própria faculdade em não adotar uma medida exemplar para coibir este e novos episódios e, também fortalecer o papel do professor em sala de aula que diante de fatos como esse vê sua autoridade corroída e desmoralizada.

Vamos agora a outra notícia amplamente veiculada na mídia nacional e internacional. O resumo dos fatos que passo a relatar é da matéria publicada no blog do jornalista esportivo Paulo Vinícius Coelho. A seguir, segue a descrição do episódio, resumida por mim, em virtude do tempo para o comentário.

Depois de encerrada a partida em que houve o desentendimento, enquanto outros jogadores ainda estavam em campo, Neymar foi para o vestiário, onde estavam o diretor Pedro Luiz e o auxiliar Ivan Izzo. Ivan desentendeu-se com Neymar e o jogador atirou um copo d’água no rosto do auxiliar-técnico. Não o copo, mas a água que estava dentro do recipiente.

A diretoria reuniu-se e definiu a multa mais alta prevista: 30% do salário. Neymar era reincidente, foi punido em 10% no primeiro ato de indisciplina, levaria 30% no segundo episódio, por isso. Estavam de acordo o presidente, Luis Álvaro, o diretor de futebol, Pedro Luiz, e o técnico Dorival Júnior. Também na quinta-feira, o presidente Luis Álvaro esteve na casa de Neymar para informar sobre a multa e exigir pedido de desculpas.

Em encontro na quinta-feira à noite entre Dorival Júnior e o presidente Luis Álvaro, o técnico ouviu que Pelé havia telefonado para o clube dizendo que a decisão havia sido acertada: “No meu tempo, era assim: a gente sentia no bolso”, disse o Rei. Dorival Júnior não discutiu, segundo a diretoria santista.

Na sexta-feira de manhã, o técnico Dorival Júnior procurou o diretor de futebol Pedro Luiz e afirmou que julgava necessária uma punição técnica, à parte a multa. Exigiu o afastamento por quinze dias. Ouviu que isso seria pouco inteligente, porque puniria o clube. À meia-noite de sexta-feira, dia 17, para sábado, dia 18, começa uma conversa telefônica entre técnico e presidente que dura aproximadamente quarenta minutos. O técnico diz que se não for atendido pedirá demissão.

No início da manhã, a reunião mantém o desentendimento. Dorival Júnior exige a punição técnica, o afastamento por 15 dias, embora o presidente, o diretor de futebol e o supervisor Jamelli fossem a favor da multa, pura e simplesmente.

No domingo, Neymar entra no vestiário, pede desculpas mais uma vez, abraça Dorival Júnior e Edu Dracena. Aparentemente, o assunto está encerrado. Porém, para surpresa de todo o Brasil, o técnico foi demitido por insistir na suspensão técnica de Neymar.

Neste caso, tenho certeza que as opiniões de nossos ouvintes se dividiram, a exemplo do restante do Brasil. Uns entendendo que um craque como Neymar, cuja qualidade eu também não questiono, pode se dar ao luxo de ter chiliques quando é substituído ou não é o escolhido para bater o pênalti, chegando a agredir, fazer gestos e dizer palavras ofensivas ao treinador.

Outros entenderam, como eu, que por ser o Neymar quem é, deve dar exemplo, respeitar ordens superiores, ter educação, enfim respeitar a hierarquia, mesmo que não fique satisfeito com algumas coisas. Mano Menezes entendeu desta forma, tanto que não convocou o craque de qualidade inquestionável para o jogo amistoso da seleção brasileira, justificando, inclusive, que no momento em que ele se limitar a fazer o que mais sabe, que é jogar bola, poderá voltar.

Pergunto então aos nossos ouvintes. Qual a diferença entre a conduta do aluno de Joinville que agrediu a professora e a do jogador Neymar que ofendeu o treinador Dorival Júnior? Na minha opinião nenhuma, com exceção da fama dos protogonistas. Ambos, na minha avaliação caracterizam-se como bullying, um educacional e o outro esportivo, ambiente que também deve ser educativo.